População do vale do Tua já não acredita no regresso do comboio

Estação da Brunheda | Image: Eduardo Pinto

O Plano de Mobilidade do Vale do Tua voltou, praticamente, à estaca zero. Governo e autarcas procuram novo modelo para o implementar e não há certezas se o empresário Mário Ferreira vai continuar a fazer parte dele. O comboio turístico Tua Express mantém-se parado, há cinco anos, em Mirandela, o mesmo tempo que um barco tipo rabelo leva atracado no cais da Brunheda, em Carrazeda de Ansiães. O povo já perdeu a esperança.



Ao concurso internacional lançado pela Agência de Desenvolvimento do Vale do Tua só respondeu o empresário Mário Ferreira, dono da turística Douro Azul, apenas uma das empresas do seu grande universo. Com um apoio de 10 milhões de euros pagos pela EDP, o objetivo do empresário era operacionalizar o plano de mobilidade, que é só a principal contrapartida pela construção da barragem de Foz-Tua para os municípios de Alijó, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Murça e Mirandela.

Entre avanços e recuos foram feitos vários anúncios – alguns com membros do governo em cerimónias cheias de pompa – e investiram-se mais cinco milhões de euros na melhoria da circulação e das condições de segurança na linha entre Mirandela e Brunheda. Vai-se a ver, não há quaisquer certezas sobre nada.

No início do passado mês de outubro, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, afirmou que o Governo está a trabalhar com “muito afinco” para encontrar “uma solução para viabilizar a linha do Tua”, mas sem explicar qual:

A solução só vai ser comunicada quando for encontrada:

Estas declarações do ministro Pedro Nuno Santos são do princípio de outubro, em Freixo de Espada à Cinta.

Entretanto, os autarcas dos cinco concelhos falam a uma só voz através de Pedro Lima, presidente da Câmara de Vila Flor, que lidera, atualmente, a Agência.

Este mês foi a Lisboa falar com o ministro das Infraestruturas e trouxe apenas a garantia de empenho em arranjar uma solução, já que, segundo diz nesta entrevista, o caminho seguido até agora tornou-se inviável:

Pedro Lima, presidente da Câmara de Vila Flor, que lidera, atualmente, a Agência de Desenvolvimento do Vale do Tua.

Contactámos Mário Ferreira para saber se ainda está dentro do projeto do Plano de Mobilidade do Vale do Tua, mas não conseguimos quaisquer explicações.

Na Ribeirinha, aldeia do concelho d Vila Flor, a esperança é nenhuma, confessam Adérito Fraga e Maria de Fátima Pires:

Alzira Batista, Alice Tomás e Maria da Luz Tomás são outras habitantes da Ribeirinha que já poucas esperanças têm em relação ao regresso do comboio à linha do Tua:

Histórias do antigamente contadas por Alzira Batista, Alice Tomás e Maria da Luz Tomás, habitantes da Ribeirinha, Vila Flor, dos tempos em que ainda passava lá o comboio da linha do Tua.

Na Brunheda, no concelho de Carrazeda de Ansiães, José Lopes já perdeu a esperança no plano de mobilidade do vale do Tua:

Os lamentos de quem vive nas aldeias junto à linha do Tua, que já não acredita no Plano de Mobilidade que prevê viagens de comboio entre Mirandela e a Brunheda, e de barco entre a Brunheda e o cais junto ao paredão da barragem.

O plano de mobilidade é a principal contrapartida pela construção da barragem de Foz-Tua para os municípios de Alijó, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Murça e Mirandela. No entanto, depois de muitos avanços e recuos, voltou praticamente à estaca zero e ainda não se sabe qual vai ser a solução.

Rádio Ansiães

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