Viajar de Chaves a Faro na réplica de um Renault de 1898

Rui Dias e Adelino Alves em cima do carro que vai ser mostrado de Norte a Sul | Imagem: Eduardo Pinto

Um marceneiro de Chaves construiu uma réplica de um carro Renault de finais do século XIX, que funciona na perfeição. É com ele que Adelino Alves, de 70 anos, quer fazer os quase 740 quilómetros da Estrada Nacional 2 (EN2), entre Chaves e Faro. O objetivo é mostrá-lo em vilas e cidades dos 35 concelhos que a estrada atravessa.



Num dia de 2021, Adelino Alves, de 70 anos, perguntou à filha: “Ó Rosita, procura aí no teu telemóvel a ver se encontras alguma fotografia de carros antigos!” Ela pesquisou e “encontrou um bonito de 1898, um Renault”. A partir daí não parou até o construir. Mas como não ficou com a perfeição que ele queria para poder circular na via pública, resolveu criar outro igual para agora fazer com ele a EN2.

A viagem vai começar no dia 8 de julho, dia feriado municipal em Chaves. Arranca no marco do quilómetro zero daquela via, que, ao longo de quase 740 quilómetros, liga a cidade flaviense a Faro. Adelino vai acompanhado do funcionário camarário Rui Dias, que conta 65 anos.

A ideia de fazer a viagem pela EN2 surgiu durante uma merenda em casa de Adelino. “Apareceu do nada, mas começou logo a colher entusiasmo e agora cá estamos a organizá-la”, recorda Rui Dias, que já começou a juntar patrocínios. E fez um roteiro em que aparecem as 27 sedes de concelho por onde vão passar, com as respetivas distâncias em quilómetros e tempo que demoram a percorrer. “A EN2 atravessa 35 concelhos, mas não podemos passar na vilas e cidades todas, pois obriga a grandes desvios”, salienta Rui Dias.

Imagem: Eduardo Pinto

Por ser um carro em madeira e não legalizado para andar na estrada, há de viajar entre localidades em cima de um reboque puxado por um Mercedes 190. 

O carro, todo em madeira com um reforço em ferro no chassis, está equipado com um “motor Lombardini de 18 cavalos” que permite atingir, “no máximo, 30 quilómetros horários”. Na verdade, “nem pode ir a mais, porque as rodas de madeira com borracha à volta podiam não aguentar”. Tem caixa de velocidades. “Uma para a frente e outra para trás”, sorri. A primeira versão do carro tinha um segundo banco, mas nesta foi substituído por um baú. Os farolins são dois recipientes de alimentar gatos ou cães. Tem travão de mão e travões de disco nas rodas da frente. 

Apesar de ter lhe custado seis meses de trabalho, Adelino Alves não se importa de o vender. E até já estabeleceu que “seis mil euros será um preço justo”. Se o despachar, construirá outro. Já tem reservado o motor para criar “um carro dos anos de 1920, tipo Ford T, já com capota, à moda do ‘Bonnie & Clyde’ e com rodas de raios e pneu de mota”.

Ouça aqui a entrevista:

Rádio Ansiães

Imagem: Eduardo Pinto

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