Alunos de Carrazeda comprovam que não faz mal estar por baixo de linhas de alta tensão e ganham prémio nacional

Ivo Moutinho, João Fernandes, Pedro Custódio, Carlos Pires e Carlos João | Foto: Eduardo Pinto

Não é perigoso para a saúde humana permanecer por baixo das linhas de alta tensão. É a conclusão a que chegou uma equipa de alunos da Escola Básica e Secundária de Carrazeda de Ansiães, após cerca de 400 medições do campo magnético numa área de pomares de macieiras entre duas torres.



O resultado do estudo, que vai ao encontro de outros já efetuados neste âmbito, valeu ao grupo, denominado de “Harmónicos”, a vitória na edição deste ano do concurso nacional MEDEA. É uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Física e da REN – Redes Energéticas Nacionais. Pretende promover o conhecimento da Física e o estudo dos campos eletromagnéticos junto dos jovens portugueses e da sociedade em geral.

Este ano, na 12ª edição do prémio, destacaram-se os “Harmónicos”. São Ivo Moutinho, João Fernandes, Margarida Carvalho e Pedro Custódio. Alunos de Física do 12.º ano, em Carrazeda de Ansiães, no distrito de Bragança, que foram coordenados pelo professor Carlos Pires.

Com um aparelho fornecido pela Sociedade Portuguesa de Física foram para o terreno e fizeram quase quatro centenas de medições do campo magnético e pelos valores obtidos chegaram à conclusão que não é perigoso permanecer áreas por baixo de linhas de alta tensão e os efeitos para a saúde humana podem ser negligenciáveis.

O professor Carlos Pires, orgulhoso pelo trabalho efetuado pelos seus alunos, explica como começou este projeto:

O resultado obtido descansou João Fernandes, elemento dos “Harmónicos” que é de Vila Flor, mas estuda em Carrazeda de Ansiães:

Os outros elementos da equipa sublinham a sensação de ganhar o concurso, entre quase três dezenas de participantes a nível nacional. É o caso de Ivo Moutinho e Pedro Custódio (Margarida Carvalho não pôde estar no dia da reportagem):

Para o diretor do Agrupamento de Escolas de Carrazeda de Ansiães, Carlos João, este prémio dos “Harmónicos” junta-se a outras distinções alcançadas este ano por outros alunos, o que representa uma grande motivação:

O júri do MEDEA de 2021 atribuiu ainda duas menções honrosas. Uma ao grupo de alunos do 11º ano “ViziHertz”, do curso de Programador de Informática da Escola Profissional de Valongo. Outra, a “Os Eletricistas”, equipa do 12º ano da Escola Secundária de Penafiel.

Os “ViziHertz” realizaram medições em redor de um posto de transformação e por baixo de uma linha de transporte de energia. A equipa é constituída por António Soares, Luís Ramalho, André Matos e Rafael Conceição, tendo como mentor o professor Bruno Bessa Pinto.

A equipa “Os Eletricistas” é composta por Marco Maia e Joana Ferreira, do 12.º ano da Escola Secundária de Penafiel, tendo como mentora a professora de Física Sílvia Machado. Realizou medições de campo no contexto doméstico, mas também junto a uma linha de transporte de energia.

A conclusão é que intensidade dos campos magnéticos, quer dos eletrodomésticos, quer das linhas de alta tensão, está abaixo do valor estipulado de referência.

As inscrições para a próxima edição do MEDEA abrem a 21 de outubro de 2021. Podem concorrer equipas de todo o país formadas por alunos do 10º ao 12º ano, dos ensinos secundário e profissional.

O concurso permite a aplicação prática da formação ministrada nas instituições de ensino, aliando o conhecimento científico à vida quotidiana dos alunos através de experiências realizadas pelos próprios, dentro e fora das salas de aula.

De acordo com a organização, os participantes elaboram um projeto científico baseado em medições de campos elétricos e magnéticos de muito baixa frequência, 0-300 Hz, no meio ambiente, em particular, na sua escola, em casa e na vizinhança de linhas de transporte de energia elétrica. Depois têm procurar informação cientificamente credível sobre os eventuais efeitos destes campos na saúde humana.

As escolas participantes recebem um medidor de campo elétrico e magnético que utilizam no decorrer do projeto. Cada equipa cria então uma página internet dedicada em exclusivo ao MEDEA, na qual apresenta todos os resultados obtidos, pesquisas efetuadas e outras informações relevantes ao projeto. As equipas com os melhores trabalhos serão premiadas.

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