Funcionárias vivem no lar de Carrazeda de Ansiães para manter vírus da covid-19 afastado

Funcionárias tratam da estética dos utentes do lar | Foto: Leonel de Castro/JN

A lista dos lares de idosos com surtos do novo coronavírus, muitos deles consequências fatais para utentes, tem vindo a aumentar todas as semanas. Ainda assim, há zonas do país onde estas instituições têm conseguido manter a pandemia à porta, graças a medidas mais ou menos radicais.

No Lar de Santa Águeda, no concelho de Carrazeda de Ansiães, as portas fecharam-se mal a covid-19 chegou a Portugal e 32 funcionárias, divididas em duas equipas, vivem ali por períodos de 10 dias.

As trabalhadoras encaram esta medida como uma missão de amor pelo próximo, resume Adelaide Moura:

O diabo que anda à solta é o vírus que provoca a doença covid-19 e que, até agora, ainda não entrou no Lar de Santa Águeda, gerido pela Santa Casa da Misericórdia de Carrazeda de Ansiães.

Em março de 2020, quando surgiu a pandemia em Portugal, os responsáveis fecharam o lar ao exterior e constituíram duas equipas “casulo” de 16 trabalhadoras cada. Uma a viver ali 14 dias sem sair à rua, a outra em casa pelo mesmo período. Depois revezavam-se e a que entrava era testada. A situação durou até maio e foi retomada em outubro com permanência reduzida para 10 dias.

Apesar de estar a resultar, o provedor, Ricardo Paninho Pereira, diz que não se pode baixar a guarda:

Nenhuma das 32 funcionárias se recusou a trabalhar num sistema que as impede de estarem com a família por períodos de 10 dias. E embora o espírito seja de missão, de acordo com Eugénia Matos há dias melhores que outros:

No caso de Rosalina Almeida, de 61 anos, a permanência custa menos. Não tem ninguém em casa à espera e, por isso, já não sai do lar desde meados de outubro:

A utente Maria Angelina Prezado, 89 anos, que viu a pandemia cancelar as voltas diárias na rua, assume que os dias se passam melhor graças à dedicação das funcionárias:

O funcionamento do lar da misericórdia de Carrazeda poderá recuperar alguma normalidade quando a vacinação começar. Um momento aguardado ansiosamente pelo utente Carlos Borges, com 91 anos:

Esse dia pode chegar ainda esta semana.

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