ASAE apreende alheiras com marca de Mirandela mas produzidas em Vinhais



A ASAE apreendeu cinco toneladas de alheiras na “Vifumeiro”, empresa de Vinhais que tem como sócios a presidente da Câmara de Mirandela e mais três familiares.

Segundo avança o Jornal de Notícias desta quinta-feira, em causa estarão crimes de fraude sobre mercadoria e violação de Indicação Geográfica Protegida (IGP).

O JN explica que, apesar de as alheiras serem produzidas no concelho de Vinhais, são vendidas com rótulos da marca “Alheiras Amil”, com sede em Mirandela.

Esta empresa também pertence à autarca e à família e anuncia que os seus fumeiros são fabricados em Mirandela, beneficiando assim da IGP atribuída pela União Europeia, em 2016. Porém, oculta aos consumidores a informação de que essas alheiras são produzidas em Vinhais.

O JN refere ainda que a operação da ASAE decorreu no início desta semana, mas que não originou arguidos, o que pode vir a acontecer em breve.

A presidente da Câmara, Júlia Rodrigues, é um dos quatro sócios da Vifumeiro, empresa que vende produtos de Vinhais e da qual foi gerente, até 2007. É também sócia da empresa Alheiras AMIL, igualmente em parceria com familiares.

Confrontada com este assunto, a autarca respondeu por escrito. Refere que ainda não tinha conhecimento do sucedido e acrescenta que não tem qualquer intervenção na empresa desde que foi eleita deputada do PS na Assembleia da República.

Júlia Rodrigues assume que a empresa é familiar e que mantém uma quota insignificante da herança do pai, falecido em 2009.

Críticas à ASAE

Refira-se que a autarca tem sido muito crítica em relação à ASAE. No final de 2018, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica suspendeu a atividade das linhas de abate de bovinos e pequenos ruminantes do Matadouro do Cachão – propriedade dos Municípios de Mirandela e Vila Flor.

A decisão foi tomada na sequência de uma operação de fiscalização, que verificou que a estrutura estava degrada e com falta de manutenção.

Nessa altura, Júlia Rodrigues, que é presidente da administração da unidade de abate, criticou a atuação da ASAE, considerando que suspendeu a atividade sem qualquer parecer técnico de saúde alimentar ou veterinário.

Em fevereiro deste ano, a uma semana da Feira da Alheira de Mirandela, a autarca pediu a demissão do inspetor-geral da ASAE, classificando de “irresponsável” a forma como foi comunicada a apreensão de 12,5 toneladas de carnes na região, o que, segundo Júlia Rodrigues, teve impacto negativo na imagem do enchido ex-líbris do concelho que dirige.

Por Rádio Ansiães/Rádio Terra Quente

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