Sousacamp não encerra nem despede trabalhadores

Foto: Eduardo Pinto

A Sousacamp, a maior produtora de cogumelos frescos em Portugal, não vai encerrar, nem despedir nenhum dos cerca de 500 trabalhadores, já que tem viabilidade económica.

A garantia foi dada, hoje, pelo administrador judicial de insolvência do grupo Sousacamp, no final de uma assembleia de credores que decorreu no Tribunal de Vila Flor:

A reunião desta quinta-feira foi a continuação de outra realizada a 5 de junho. Nessa altura foram dados 15 dias a um consórcio de dois investidores estrangeiros, apresentado pelo acionista do grupo, para poder aportar as garantias financeiras necessárias para que os credores possam votar favoravelmente o plano de recuperação.

Os 15 dias esgotaram-se esta quinta-feira e a garantia não chegou:

Se o plano for aprovado, o administrador de insolvência mantem-se no cargo até ser feito o pagamento aos credores de 35% dos seus créditos, o que terá de ocorrer num prazo de 30 dias. A seguir, o processo é encerrado com recuperação e o grupo readquire a sua normalidade de funcionamento.

No caso de o plano não ser aprovado, a lei determina que o grupo entre em processo de liquidação, o que, segundo Bruno Costa Pereira, não significa ter de o fechar:

Por causa deste alegado muito interesse, José Eduardo Andrade, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabaco de Portugal, adiantou que os trabalhadores até admitem a possibilidade de se avançar para a fase de insolvência:

Apesar de tudo, José Eduardo Andrade vincou que o principal objetivo é a manutenção dos postos de trabalho, embora se mostre preocupado pelo facto de a empresa poder ficar na mão de estrangeiros:

O grupo Sousacamp entrou em processo judicial em fevereiro de 2018, primeiro ao abrigo de um plano especial de recuperação e depois de insolvência. Os 25 milhões de euros da proposta que está em cima da mesa são essenciais para resolver de imediato o problema.

A proposta foi apresentada pelo consórcio que constituiu uma sociedade em Portugal, denominada Rudi & Mittelbrunn, Lda.

Um dos dois empresários é Rudi François Joris, um belga radicado na Polónia, que é considerado uma “referência mundial na formação técnica e profissional no setor dos cogumelos”.

O outro é o espanhol Ignácio Felipe Mittelbrunn Fuentes, que pretende fazer uma parceria com o grupo brasileiro BDN, que atua no mercado em áreas como imobiliária, financeira, saúde e agronegócio.

A proposta de viabilização apresenta três soluções aos credores. Para um pagamento imediato em 30 dias, os proponentes querem um perdão de 65% das dívidas.

Outra solução é o perdão de 35% dos créditos e o pagamento dos restantes 65% em 72 prestações.

Se os credores não aceitarem as hipóteses com perdão de dívida, a solução proposta é o pagamento total em 120 prestações (10 anos) com um período de carência de 18 meses.

Por Rádio Ansiães

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *