Mobilidade turística no vale do Tua só para o ano

Barco tipo rabelo está no cais da Brunheda há cerca de três anos | Foto: Eduardo Pinto

O comboio já não vai apitar este verão na linha do Tua. O arranque da mobilidade turística estava anunciado para agosto deste ano, mas as obras necessárias para iniciar as viagens ainda não começaram.Por isso, nem comboio a apitar na linha do Tua, entre Mirandela e Brunheda, nem barco rabelo a navegar entre esta aldeia de Carrazeda de Ansiães e a barragem, junto à foz do rio.

No passado dia 8 de fevereiro de 2019, depois de mais de três anos de avanços e recuos, foram assinados, em Vila Flor, os contratos das obras que falta fazer na via-férrea. Só que poucos dias depois surgiram contrariedades relacionadas com a responsabilidade da execução dos trabalhos.

Mário Ferreira, da empresa Mystic Tua, que vai operacionalizar o plano de mobilidade, diz que não faz mais obras no vale e que vão ter de ser assumidas pela Agência de Desenvolvimento do Vale do Tua. “A nossa parte está toda feita e estamos prontos para pôr a região a mexer. Quando nos disserem que a linha está pronta, avançamos”, diz Mário Ferreira, que assume uma grande “frustração” com a demora.

“Estive para desistir este ano, porque achava que já era tempo a mais. Mas por consideração pelo presidente da agência e pelo administrador da EDP decidi esperar mais um ano”, acrescenta.

Deixa, porém, um ultimato: “Se até antes do verão de 2020 não estiverem reunidas as condições para arrancar, transfiro o projeto e os equipamentos para a agência e ela que continue”. É que, embora assegure que gosta de “levar os desafios até ao fim”, este está a levá-lo “ao limite da paciência”.

A Agência de Desenvolvimento do Vale do Tua é liderada pelo autarca de Alijó, José Paredes. Sem prestar declarações gravadas, José Paredes assume que “avançar com a mobilidade em agosto está já fora de hipótese”, mas acalenta a esperança de ter tudo pronto a inaugurar “antes do final deste ano”.

Na semana passada foi a Lisboa fazer o ponto da situação ao secretário de Estado das Infraestruturas e requerer a “reativação do comité de acompanhamento do plano de mobilidade”, que junta também a Infraestruturas de Portugal, o Instituto da Mobilidade e dos Transportes e a CP-Comboios de Portugal. O objetivo é que “sigam os processos de licenciamento das obras” – é o caso da consolidação de taludes e da instalação de uma rede de monitorização de queda de pedras.

Por Rádio Ansiães

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