Hakeem Al-Araibi, o jogador refugiado que está preso na Tailândia e tem meio mundo a defendê-lo



Hakeem Al-Araibi tem 25 anos, é internacional pelo Bahrain e joga na Austrália. Em novembro, foi preso na Tailândia – e lá continua. A história do jogador refugiado que tem meio mundo a defendê-lo.

Era o primeiro dia de duas semanas pelas quais haviam esperado demasiado tempo. Hakeem Al-Araibi, um jogador de futebol a atuar na Austrália, e a mulher tinham acabado e aterrar em Banquecoque, a capital da Tailândia, para duas semanas de uma lua-de-mel adiada pelo estatuto de refugiado do atleta nascido e torturado no Bahrain. Era a primeira vez que Hakeem saía da Austrália, país para onde fugiu em 2014. Nesse dia 27 de novembro de 2018, Hakeem foi preso assim que pôs os pés no aeroporto da capital tailandesa. Dois meses depois, continua preso na Tailândia.

Mas é preciso recuar um pouco para perceber a história desde o princípio. Hakeem, abertamente crítico do Governo do Bahrain e da política de direitos humanos aplicada no país, foi preso pela primeira vez em 2012, acusado de vandalizar uma esquadra da polícia durante um protesto – crime que sempre negou. Na altura, a viver e a jogar no Qatar, esteve detido durante três meses e terá sido submetido a tortura. Em conversa com a CNN – em que falou sozinho numa sala, separado por uma parede da pessoa que está do outro lado do telefone –, contou que acabou por ser libertado quando as autoridades descobriram que, na hora da destruição da esquadra, o defesa central estava a jogar em direto na televisão. A libertação, contudo, nada mais foi do que uma espécie de canto do cisne. Cerca de dois anos depois da detenção, as acusações de vandalismo condenaram-no a dez anos de prisão e Hakeem Al-Araibi fugiu quase de imediato para a Austrália.

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